Título do estudo:
Conhecendo Deus através da Oração
Texto-base: Mateus 6.9-13 / Aline Barcellos Lopes Plácido
INTRODUÇÃO:
Em nossa cultura, é comum orientar nossas crianças
da seguinte forma: “Na rua, na escola, onde você estiver,
não converse com estranhos!” Fazemos isso por amor,
pois sabemos os perigos que correm. Más influências
parecem crescer a cada dia. Recordo-me de uma vez que, com nove
anos, aproximadamente, e iniciando meus primeiros passos independentes
da escola para casa, um homem me ofereceu carona na porta de minha
escola, onde hoje tenho o prazer de ser professora. Ele parou o
carro e falou: “Ei, entre! Vou deixá-la em casa e...”.
Eu saí correndo! Como tive medo! Aquilo me marcou profundamente...
Minha mãe avisou tanto: “Nunca converse com estranhos...”.
Depois, chegando em casa, vim a saber que aquele moço era
amigo de meu pai e que ele me conhecia!!! Mesmo assim, nutri medo
por ele, pois o susto foi muito grande...
Aqueles que participavam de minha vida diária, esses sim,
eram meus amigos: os motoristas do ônibus, os funcionários
da escola, o pessoal da rua... Eu sabia tudo sobre a vida de todos
(na minha consciência infantil) e sentia confiança
neles!! Eles também me conheciam e isso me dava muita alegria.
Todos os dias pela manhã, a gente busca dar um bom dia a
uma pessoa que muitos de nós ainda não conhece muito
bem, apesar de, às vezes acharmos que conhecemos. O não
conhecê-la nos dá diferentes tipos de relacionamento
com esse ser. Vocês já sabem de quem estou falando:
Deus.
Alguns conversam com ele com muito medo. Por não conhecê-lo
bem, pensam que vai lhe fazer mal. Ele castiga... Que medo... Isso
tira o prazer do relacionamento. Muitos confiam nas promessas da
pessoa que ao lado está, mas, nas promessas de Deus... Muitos
entregam seus filhos aos cuidados dos vizinhos para irem trabalhar,
mas, entregá-los para Deus quando decidem seguir um chamado...
Eles vão morrer de fome!! Eles vão viver uma vida
muito difícil!! Muitos não confiam em Deus e, portanto,
não conversam com ele porque ele é um “estranho”.
Ou, se conversam, travam um diálogo pobre como aquele que
travamos com o atendente de uma repartição pública
para pedirmos seu auxílio.
O tema deste estudo é : Conhecendo Deus
através da oração. Com certeza, a melhor forma
de conhecermos alguém é conversando. Jesus nos mostrou
como devemos conversar com o Pai. Em seu exemplo de conversa, nos
dá muitas dicas de como o Pai é e de como devemos,
pelo que Ele é, conversarmos com Ele.
Nosso texto-base será Mateus 6.9-14.
1. CONHECENDO O DEUS QUE É “PAI NOSSO”:
(v.9)
“Pai nosso”. O que podemos conhecer
de Deus através dessa expressão? A primeira coisa
nos salta os olhos: Ele é Pai. É confortante pensarmos
em “pai”. Esse nome nos transmite acolhimento, proteção,
amizade, ensinamento. Mas, quando pensamos em “pai”,
também pensamos em filho. Quem seria o filho deste “Pai
nosso”? Quem teria intimidade suficiente para pensar em Deus
como Pai? Você teria?
Para ter Deus como Pai, é necessário que tenhamos
em nós as características desse Pai. Todo filho traz
em si características de seu pai. Quem nunca ouviu falar:
“tal pai, tal filho?”. A verdade é que nós
não nascemos com as características do Pai celestial.
Nós seguimos os padrões de nosso pai carnal. Nascemos
carecendo de aprender sobre nossa filiação espiritual
e isso é decisão pessoal. Cristo nos mostra essa necessidade.
Em João 3 Ele diz:: “necessário vos é
nascer de novo e te digo que aquele que não nascer de novo
não pode ver o Reino dos céus”. E mais a frente
Ele diz: “o que é nascido da carne é carne e
o que é nascido do Espírito é espírito”.
Esse que escolheu por nascer de novo é quem pode chamar a
Deus de Pai. “Mas, a todos quantos o receberam deu-lhes o
poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu
nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade do
varão, mas de Deus.”. Você já nasceu de
novo? Você pode unir-se ao coro daqueles que podem dizer “Pai
nosso”? A primeira coisa que aprendemos com a oração
que Cristo nos ensinou é que para termos acesso ao Pai precisamos
tomar nossa posição de filhos. Lembre-se: Um dos aspectos
mais maravilhsos de Deus é que Ele se coloca como Pai daqueles
que nEle crêem.
Conhecendo a Deus através da oração do “Pai
Nosso”: o próximo trecho que nos mostra uma outra característica
do Senhor é: “Pai nosso QUE ESTÁS NOS CÉUS.”.
Podemos uni-lo a um trecho posterior: “Venha o Teu Reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como nos céus.”.
Outro atributo do Senhor: Ele é soberano.
2. CONHECENDO O DEUS “SOBERANO”: (vv.9-10)
Em relação ao trecho “que
estás nos céus”, vemos a onipresença
dos olhos do Senhor, que a tudo e a todos contempla. Como seus filhos
espirituais, devemos saber que, a todo tempo, nosso Pai nos observa,
e não só no momento em que estamos contritos, em oração
ou quando estamos nas nossas igrejas. Ele nos contempla do alto
em nosso trabalho, em nosso lazer, contempla nosso agir e nosso
pensar. Ele nos sonda. De onde Ele está, tudo vê. Este
ato de soberania de Deus nos faz conhecê-lo melhor e nos ensina
como devemos nos portar diante de sua face e em nossas orações.
A Palavra de Deus diz em Pv. 15.3: “Os olhos do Senhor estão
em todo lugar, contemplando os maus e os bons”.
Ele também é Rei. Este também é outro
aspecto da soberania de Deus: “Venha o Teu Reino”. Neste
aspecto, podemos nos alegrar, pois aqueles que são seus filhos,
são herdeiros de Deus e de seu Reino. Ele é Rei. Isso
nos ensina que devemos a Ele toda glória e toda honra. Devemos
a Ele todo nosso louvor. Toda nossa vida deve estar de acordo com
os preceitos do Rei. Quando estiver orando, lembre-se de que você
está falando com o Rei... que também é o seu
Pai.
Outra característica de Deus impressa na oração
do “Pai Nosso” se vê no trecho: “Santificado
seja o Seu Nome”.
3. CONHECENDO O DEUS “SANTO”: (v.9)
Interessante notarmos que Cristo nos mostra que
o nome do Senhor deve ser reconhecido como “Santo”.
Sabemos que Deus é Santo, porém, a lembrança
de um nome santo não é em vão. Aprendemos a
importância de um nome. E de um nome santificado, sem mácula.
Nosso Deus é um Deus que se preocupa com o nome e deseja
que tenhamos zelo não só com o Seu nome, mas também
com o nosso, pois somos seu filhos e o representamos nessa terra.
Uma das formas de santificarmos o nome do Senhor é santificando
o nosso próprio nome diante do mundo que não conhece
nosso Pai. No mundo, quando um filho não se comporta da forma
esperada pela sociedade, o pai logo fala: “Você, assim,
está manchando minha reputação!” ou ainda
“Assim você me envergonha, você joga meu nome
e o de nossa família na lama!!”. Por que o filho está
manchando a reputação do pai? Porque o pai vê
no filho a extensão de seu próprio ser e, por que
não dizer, de seu próprio nome, uma vez que um de
seus sobrenomes provém de seu pai. Minha mãe conta
que ela e o irmão tinham a obrigação de reerguer
o nome da família, uma vez que seus pais não foram
tão cuidadosos neste ponto. Dizia também que nós,
filhos, teríamos a obrigação de continuarmos
elevando o nome e a reputação de nosso nome de família.
Crescemos com essa obrigação. Crescemos com medo de
“mancharmos” novamente o nome dos “Barcellos”,
assim como haviam feito os antepassados. Honrar esse nome e fazê-lo
honrado era um de nossos objetivos. Quando casei, poderia ter tirado
um dos sobrenomes para colocar o de meu marido, mas, aquilo que
minha mãe ensinava estava arraigado. Preferi somar o sobrenome
dele aos meus dois sobrenomes. Fazendo isso, acredito que mostro
apreço e honra por minha família.
E no caso do nome do Senhor? Como vemos, Ele é um Deus que
busca a honra e a santificação de seu próprio
nome, como está escrito em Isaías 29.23: “Mas
quando ele (Israel) e seus filhos virem a obra das minhas mãos
no meio deles, santificarão o meu nome; sim, santificarão
o Santo de Jacó e temerão o Deus de Israel.”
. Nós, que somos seus filhos, levamos também o seu
sobrenome. O Nome do senhor é Deus de Israel. A Palavra diz
em Isaías 44.5: “Estes dirão: Eu sou do Senhor;
e aquele se chamará do nome de Jacó; e aquele outro
escreverá na própria a mão: Eu sou do Senhor;
e por sobrenome tomará o nome de Israel.”.
Quem aqui tem por sobrenome Israel? Aquele que tem por sobrenome
Israel sabe do dever de honrar e santificar este nome através
de sua própria vida. O nome do Senhor deve ser santificado
porque o Senhor é Santo.
Outro aspecto do caráter de Deus, expresso na oração
que Cristo nos ensinou, está no trecho “O pão
nosso de cada dia dai-nos hoje”.
4. CONHECENDO O DEUS “PROVEDOR”: (v.11)
Deus é um Deus provedor e aquele que o
conhece e se relaciona com Ele levando em conta tudo o que Ele é,
reconhecerá também que Ele é o Deus que provê.
O povo judeu o chamava de Jeová Girê.
Ele provê aquilo que é mais necessário para
cada um de nós. A figura do “Pão de cada dia”
é algo maravilhosa. O pão significa aquilo que realmente
é necessário. Está em Deus o suprimento para
todas as nossas necessidades humanas e espirituais... e de todos
os dias! A cada dia de vida, Deus atenta para suas necessidades.
Já imaginaram participar efetivamente desta graça?
Chamo a atenção não somente daqueles que ainda
não tomaram uma decisão de nova vida, mas também
daqueles que já se dizem servos. Muitos crentes não
vivem essa graça e se perguntam: por que eu não sinto
toda a graça do Senhor em minha vida? Aprendemos, nessa oração
que Cristo nos ensinou que, para cada atributo do Pai, uma posição
frente ao Senhor nos é pedida. Amados, essa tomada de posição
é de suma importância para que possamos estar no “canal
da bênção”. Essa tomada de posição
nos dará um relacionamento eficiente e poderemos usufruir
de todas as bençãos que nEle estão. O Senhor
sabe que cada um de nós tem um tipo específico de
necessidade. Ele não dá o mesmo “pão”
para todos. Cada um de nós tem a necessidade de um tipo de
pão. Lancemos sobre Deus as nossas ansiedades porque Ele
tem cuidado de nós”. Qual é o “pão”
que lhe é necessário hoje? Peça-o a Deus, como
Pai, na posição de filho, e certamente você
o terá para cada dia de sua existência nesta terra.
Vejam que passagem linda encontramos em Isaías 46 sobre a
provisão de Deus para conosco: “Ouvi-me, ó casa
de Jacó, e todo o restante da casa de Israel; vós
a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde
o ventre materno. Até a vossa velhice eu serei o mesmo, e
ainda até às cãs eu vos carregarei; já
o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.”.
Certamente o nosso pão de cada dia está no Senhor.
E Ele no-lo dá desde o nosso nascimento até o último
dia de nossas vidas.
Continuemos a aprender sobre o caráter de Deus através
da oração do “Pai Nosso”. A penúltima
característica de Deus que vejo impressa nesta oração
é que Deus é um Deus de perdão.
5. CONHECENDO O DEUS “PERDOADOR”: (v.12)
Podemos observar esta característica quando
lemos “Perdoai as nossas dívidas” (ou ofensas).
Deus é um Deus que nos perdoa. Vejamos o que a Bíblia
diz sobre o perdão de Deus: Em Isaías 43.25, lemos:
“Eu, eu mesmo sou o que apago tuas transgressões por
amor de mim, e dos teus pecados não me lembro mais. Em Isaías
44.22, temos: “Desfaço as tuas transgressões
com névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para
mim, porque eu te remi.” e um último versículo:
“Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos;
converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se,
porque é rico em perdoar”. (Is 55.7).
Muitas outras passagens confirmam essa face do caráter de
Deus: ser rico em perdoar.
Muitos de nós carrega culpas insondáveis que até
mesmo nos convencem de que não merecemos estar nos caminhos
do Senhor. O mundo carrega em si também a doença da
culpa. São muitos os dedos apontados para a face do outro.
A culpa corrói a alma. Ela destrói a auto-estima e,
conseqüentemente, tudo o que somos. Quer acabar com alguém?
Faça-o sentir culpado. A culpa enfraquece os ossos. O Salmista
no Sl 32.3. expressa-se assim pela culpa: “Enquanto calei
os meus pecados, envelheceram os meus ossos.”. A culpa causa
dor e gera a morte. Quem conhece a essência do Pai, porém,
sabe que está livre dessa morte, dessa dor, pois pode contar
com um Pai perdoador. Suas misericórdias não tem fim.
Alguns podem pensar: se Deus é perdoador e suas misericórdias
não tem fim, então, posso pecar sempre e contar com
seu perdão. Só quem não conhece seu Pai falaria
uma coisa dessas. A Palavra de Deus diz em I João 3.6 que
“Todo aquele que permanece nEle não vive pecando; todo
aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.”
e no versículo 9, lemos: “Todo aquele que é
nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois
o que permanece nEle é a divina semente; ora, esse não
pode viver pecando, porque é nascido de Deus”.
Aprendemos, ainda, aqui, que ao homem natural, sem o novo nascimento,
viver longe do pecado é algo muito difícil, mas, aquele
que nasce do Pai dos céus terá em si esta capacidade.
Mas, voltando a essência perdoadora de Deus, podemos contar
com suas misericórdias, que não tem fim: “Filhinhos,
estas coisas vos escrevo para que não pequeis, todavia, se
alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo,
o Justo, Ele é a propiciação dos nossos pecados”.
Quando você orar, lembre-se que está diante de um Deus
perdoador que lhe quer ver livre da culpa. Confesse a ele seus pecados
e liberte-se da culpa.
E por falar em libertar-se, vamos à última característica
da identidade de Deus que podemos apreender no “Pai Nosso”.
Vemo-la no trecho: “Não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal.”
6. CONHECENDO O DEUS “LIBERTADOR”:
(v.13)
Deus é um Deus libertador. Ele é
capaz de nos livrar de situações que nós mesmos
não conseguiríamos. Nele está a nossa liberdade
e a nossa libertação. Aquele que sabe que esta é
uma das características de seu Pai, descansa tranqüilo,
pois sobre si não há jugo. Deus o libertou de todo
jugo. Sabe o que quer dizer a palavra jugo? É uma peça
de madeira que se coloca sobre os bois para prendê-los um
ao outro e ao carro. Esta palavra também significa: submissão,
dominação. Deus nos livra de qualquer opressão.
Aquilo que nos tenta e nos subjuga, Deus afasta de nós. Hoje,
o que mais escraviza o homem são os vícios. Deus é
o Deus que nos livra dos vícios. Sejam eles quais forem.
Não há impossível para Deus. Há algo
que o prende ao pecado? Deus tira o jugo. Através da morte
de Cristo, ordenada foi a nossa libertação do peso
e das correntes do pecado. Em Hebreus 2. 14 a 18 lemos assim: Visto,
pois, que os filhos têm participação comum de
carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou
para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder
da morte, a saber, o diabo, e livrasse a todos que, pelo pavor da
morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.
Pois ele, evidentemente, não socorre a anjos, mas socorre
a descendência de Abraão. (...) Pois naquilo que ele
mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer
os que são tentados”.
Deus nos livrou do poder do pecado e nos dá vida. E conhecereis
a verdade e ela vos libertará. Uma vez libertos, a Palavra
nos afirma que Deus não nos deixa entrar em cativeiro novamente.
Leiamos o Salmo 91.11-16: “Porque aos seu anjos dará
ordens a teu respeito para que te guardem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos para que não
tropecem nalguma pedra. Pisarás o leão e a áspide,
calcarás aos pés o leãozinho e a serpente.
Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; po-lo-ei a salvo,
porque conhece o meu nome. Ele me invovcará e eu lhe responderei;
na sua angústia eu estarei com ele, livra-lo-ei e o glorificarei.
Saciá-lo-ei com longevidade, e lhe mostrarei a minha salvação.”
CONCLUSÃO:
Acredito que aprendemos muito neste estudo sobre as características
de Deus através da análise da oração
que Cristo nos ensinou o “Pai Nosso”, como dizemos.
Aprendemos que Deus é: PAI NOSSO, SOBERANO, SANTO, PROVEDOR,
PERDOADOR, LIBERTADOR.
Esse é o nosso Deus. Esse é o Deus com quem conversamos
em nossas orações. Esse é o meu Deus e o Deus
de minha casa. Esse realmente tem sido o seu Deus? Você tem
se colocado na posição de filho para usufruir na companhia
e da graça desse Deus?
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