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* Pr. Márcio Barros
Graduado em Teologia pelo STBSB e especialista em Ciências da Religião pela UGF.
Pastor da Igreja Batista Memorial em Olavo Bilac – D.Caxias.
e-mail: mbarrosworktime@gmail.com

Titulo: Paulo Era Machista?

O presente artigo tem a intenção de desmistificar a idéia de que Paulo não apreciava as mulheres ou coisa parecida. Pelo contrário, Paulo é um grande aliado e contribuiu decisivamente para emancipação feminina na igreja primitiva. Senão, vejamos:

1) Uma interessante discussão sobre o assunto

Muito se discute sobre a postura de Paulo em relação às mulheres cristãs. Precisamos entender que as passagens que vez e outra são usadas para determinar costumes contra mulheres, precisam ser entendidas à luz de seu contexto cultural. A leitura bíblica dessas passagens precisa respeitar o tempo, cultura e visão que as comunidades tinham das coisas.
Em determinada época de seu ministério, Paulo se separa da sinagoga (não podemos precisar esse momento). Esse ato foi de fundamental importância para a libertação da mulher que se convertia ao cristianismo. Isso teve um efeito impar no cristianismo do século I. Enquanto na sinagoga ela tinha apenas função passiva, de serviço, nas comunidades cristãs (nas casas), ela podia estar à vontade, podia acolher as pessoas, coordenar e presidir a igreja doméstica que se reunia sob seu teto. É ao que tudo indica o caso de Lídia em Filipos (Atos 16.11-15).

2) O imenso apreço de Paulo pelas mulheres

Chamar Paulo de machista é extremamente injusto. Ele deu passos de gigante dentro de um contexto claramente patriarcal, androcêntrico e machista, que tinha os seus mecanismos de exclusão, e que fazia questão de ofuscar a importância das mulheres. Paulo é totalmente contrário a essa realidade, pois ele vê a mulher sem nenhuma distinção em relação ao homem: "não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus", é o que mostra em Gálatas 3.28. É com esse substrato bíblico e teológico que Paulo fornece um contraponto substancial e concreto àquele cenário. Com apenas esse versículo poderíamos acabar com nossa discussão por aqui, mas vamos aprofundá-la. Na passagem bíblica citada, Paulo afirma que a vida sadia na presença de Cristo desestabiliza toda e qualquer discriminação e exclusão quer seja racial, social ou referente ou sexista. Uma outra importante passagem para esse diálogo é o capítulo 16 de Romanos. Perceba a quantidade de mulheres citadas por Paulo e a gratidão que ele manifesta pelos serviços desempenhados por elas. Logo no primeiro versículo Paulo reconhece Febe como diaconisa. Se formos recorrer ao texto original grego, não nos restarão dúvidas quanto a isso (diakonon).

3) A importância do trabalho feminino no serviço do Reino

A maioria dos estudiosos acredita que Febe foi a portadora da carta aos Romanos, e que também organizou a viagem de Paulo à Espanha (Rm 15.24-28). Paulo continua no versículo três citando Priscila e Áquila. Na cultura daquele tempo, era costume citar antes o nome do marido e depois o da esposa. Paulo aqui quebra esse protocolo fazendo-nos pensar que a liderança das comunidades não estava presa em tradições humanas, e sim na capacidade do indivíduo, seja ele homem ou mulher. Cabe ainda frisar a discussão sobre a pessoa de Júnias. Se esta era realmente uma mulher, então Paulo irrompe todo e qualquer preconceito quando reconhece o seu ministério apostólico (Rm 16.7).

4) O perigo da falta de consistência bíblica

O texto de 1Coríntios 14.34-35, numa análise superficial, pode sugerir o silêncio feminino na igreja. É isso que muitos exegetas conservadores tentam fazer. Afinal de contas, a quem convém silenciar a voz feminina na igreja? O problema é que essa análise não se sustenta e ainda por cima pode gerar uma grande confusão. Se recuarmos ao capítulo 11 da mesma carta, onde Paulo dá instruções para a mulher profetizar (v.2-16) vamos pensar que Paulo está divergindo em idéias. Mas isso não acontece. Estamos diante da dura realidade das comunidades de Corinto, onde as mulheres não tinham as mesmas oportunidades de instrução que os homens. Muitas mulheres, nessa situação, ao se depararem com grande número de informações, queriam saber tudo que possível ali, na mesma hora da celebração. Assim, mesmo sem perceber, poderiam causar um certo transtorno no andamento da celebração. Nesse texto vemos uma instrução direta de Paulo, que quer dizer: "Por favor, não atrapalhem a celebração, perguntem aos seus maridos em casa, por que eles têm mais conhecimento sobre esse assunto que vocês". A casa, e não a celebração, se torna o lugar em que a mulher vai receber uma instrução personalizada, para que o desnível entre ela e o marido desapareça. A celebração continua sendo celebração, e não o lugar de perguntas intermináveis. Em Efésios 5.21, fica clara a indicação de que não há superiores nem inferiores. Todos têm sua importância, seu dom e sua tarefa.

Conclusão

Em momento algum vemos a bíblia silenciar o trabalho das mulheres. Ao contrário, ela mostra a relevância do seu serviço prestado ao reino de Deus. Desse modo, todas as tentativas de supressão do trabalho feminino desvela, ou um aspecto ingênuo e pueril conseqüente da falta de profundidade bíblica ou um ranço fundamentalista dos que se utilizam convenientemente do expediente da igreja para se manterem no poder. Ressalta-se que essa postura anda na contramão da a
vontade de Deus. O importante é a gente perceber que a lógica de Deus contraria a dos homens. Nesse sentido Paulo nos alerta que para Deus somos todos iguais e que para o engrandecimento do seu Reino ele usa tanto homens quanto mulheres.


Para se aprofundar nessa discussão consulte a seguinte bibliografia:

• Como ler a carta aos Efésios – José Bortolini – Editora Paulus
• O ministério dos presbíteros - epíscopos na igreja do novo testamento – Pe. Antonio José de Almeida – Paulus
• Como ler a primeira carta a Timóteo – José Bortolini – Editora Paulus
• Caminho para a liberdade – Vera Lucia M. S. Mattos – Vida Plena
• Introdução a Paulo e suas Cartas – José Bortolini – Editora Paulus
• Romanos introdução e comentário – F. F. Bruce – Cultura Bíblica



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